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Protestos contra juros altos são realizados em diversas cidades

Trabalhadores voltaram a protestar contra os juros altos em diversas cidades do Brasil na manhã desta terça-feira (31/10), primeiro dos dois dias de reunião do (Comitê de Política Monetária), órgão do BC (Banco Central), responsável por decidir mudanças na alta taxa básica de juros da economia brasileira (Selic). A categoria bancária tem liderado as manifestações pela redução da Selic desde fevereiro, quando começou a campanha, tanto em manifestações de rua como nas redes sociais, com a hashtag #JurosBaixosJá.

Como aponta a economista da subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) na Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro), Vivian Machado, a tendência é de nova queda de 0,5 ponto percentual nos juros básicos – que seria a terceira seguida. Com isso, a Selic passaria dos atuais 12,75% para 12,25%.

Em São Paulo, o ato aconteceu na parte da manhã, na Avenida Paulista, em frente ao prédio do Banco Central. “Essas manifestações, apoiadas pela categoria bancária de todo o Brasil, acontecem para exigir da direção do BC uma ação mais enérgica na baixa dos juros, esses juros que ainda continuam sendo um dos maiores juros do planeta e que impedem a geração de emprego, que impedem o desenvolvimento e que, na verdade, é uma grande sabotagem à política econômica e ao cenário econômico que o presidente Lula pretende implementar no país”, avaliou o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção.

Gestão do boicote

O secretário-geral da Contraf-CUT, Gustavo Tabatinga, que também esteve presente nos atos da capital paulista, destacou os aspectos negativos da atual administração do BC, presidida por Roberto Campos Neto. “O atual presidente do Banco Central não serve para a função que ocupa. Precisamos de juros baixos já! A economia precisa de juros como antes do governo Bolsonaro, de 2% ou no máximo 4%. Temos uma economia crescente, que poderia estar melhor não fosse a gestão temerária dentro do Banco Central onde, o presidente da instituição faz de tudo para enriquecer seu próprio patrimônio, utilizando-se da falácia da autonomia do BC para fazer seu patrimônio crescer, com juros altos, enquanto toda a população brasileira sofre”, alertou.

Para o secretário de Assuntos Econômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale, “a política de juros de Campos Neto não condiz com a política econômica do governo federal, do presidente Lula. Mesmo com uma nova redução de 0,5 ponto percentual prevista para a reunião do Copom, ainda teremos uma taxa de juros muito alta: é provável que a gente feche 2011 com os juros acima de 11%, que ainda é muito alta. Também estamos na luta pela redução dos juros na ponta, para o consumidor, como no cartão de crédito, nos empréstimos e no cheque especial”, resumiu.

Trabalhador paga a conta

Em análise sobre a política monetária, praticada pelo Banco Central nos últimos três anos, a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Juvandia Moreira, destacou que “os juros definidos pelo Banco Central são repassados para os clientes de todo o sistema financeiro”, além de tirar recursos do Estado que poderiam virar investimentos públicos. “Então, com a Selic alta, fica mais alto o custo do crédito para as pessoas e para as empresas, significa pagar mais caro pela casa própria, pelo carro. Logo, o inverso também acontece: a Selic mais baixa dinamiza a economia e melhora a vida da população e do setor produtivo, com mais recurso para gastar e investir”, completou.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, Neiva Ribeiro, reforçou que manter os juros altos trava os investimentos no setor produtivo e a geração de emprego e renda. “Essa política econômica do BC, de manter a Selic em dois dígitos, só beneficia, em sua maioria, instituições financeiras, que são as maiores detentoras dos títulos da dívida pública”, concluiu.

Fonte: Contraf-CUT

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