Financiários iniciam negociação da Campanha 2026 com debate sobre reivindicações prioritárias

Financiários iniciam negociação da Campanha 2026 com debate sobre reivindicações prioritárias

23 de setembro 2026

Os financiários iniciaram, nesta quarta-feira (23/09), em São Paulo, a primeira rodada de negociação da Campanha Nacional 2026 com a Fenacrefi (Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento). A negociação foi dividida em dois blocos ao longo do dia, com o debate dos principais eixos da pauta de reivindicações da categoria.

Na parte da manhã, foram discutidos temas como a abrangência da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho), a contratação de trabalhadores do Ramo Financeiro, a redução da jornada, o teletrabalho e o trabalho realizado fora das dependências das empresas, as homologações, a proteção aos trabalhadores desligados, o uso ético da tecnologia e o combate à terceirização.

Para Talita Régia, secretária do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, a primeira rodada abre um processo importante de negociação e o movimento sindical espera avanços nas discussões com a Fenacrefi. “Estamos iniciando um processo de negociação com temas muito importantes para os financiários. Esperamos que, ao longo das próximas rodadas, possamos avançar nas nossas reivindicações e construir propostas que representem melhorias nas condições de trabalho e na proteção da categoria”, afirma Talita.

Abrangência e contratação no Ramo Financeiro

Entre os primeiros pontos debatidos estão a abrangência da CCT e a contratação dos trabalhadores que atuam no Ramo Financeiro. A proposta de abrangência busca assegurar a aplicação da Convenção Coletiva aos trabalhadores de empresas que atuam na concessão de crédito, financiamento e investimento, incluindo financeiras, administradoras de cartões de crédito, promotoras de venda e crédito, sociedades de crédito imobiliário, empresas de arrendamento mercantil, instituições de pagamento e outras empresas que operem na área de crédito.

Outro ponto prevê o compromisso de discutir a contratação dos trabalhadores que exercem atividades no Ramo Financeiro, incluindo aqueles vinculados a financeiras, prestadoras de serviços de crédito, administradoras de cartões, promotoras de venda e crédito, empresas de arrendamento mercantil e instituições de pagamento.

Redução da jornada

A redução da jornada está entre os principais temas da pauta. A reivindicação é por uma jornada de cinco horas diárias, sem redução do salário ou da remuneração já recebida, em quatro dias por semana, totalizando 20 horas semanais.

A proposta prevê ainda que a jornada possa ser cumprida entre segunda e sexta-feira, com intervalo de 20 minutos para refeição ou descanso incluído na jornada.

Teletrabalho e trabalho remoto

A categoria reivindica parâmetros mínimos para o teletrabalho, o trabalho em domicílio e o trabalho remoto, além da formalização das condições dessa modalidade de prestação de serviço.

Também está em debate a realização de acordo específico para estabelecer o regime e as condições de trabalho dos empregados que desempenham suas funções fora das dependências da empresa.

Rescisões e proteção ao emprego

Outro eixo discutido na rodada envolve a proteção dos trabalhadores no momento da rescisão contratual. A reivindicação é que as rescisões dos contratos de trabalho sejam formalizadas no sindicato dos empregados, permitindo a conferência e a fiscalização dos direitos rescisórios. A categoria também reivindica uma indenização especial ao empregado dispensado sem justa causa durante a vigência da CCT, conforme os critérios estabelecidos na proposta.

Tecnologia e relações de trabalho

O impacto do avanço tecnológico nas relações de trabalho também está entre os temas prioritários. A proposta busca estabelecer princípios para o uso de tecnologias e mecanismos de fiscalização do cumprimento das obrigações assumidas pelos trabalhadores, inclusive em situações de teletrabalho e trabalho remoto. A fiscalização deverá respeitar princípios de finalidade, proporcionalidade, transparência, privacidade e intimidade, em conformidade com a legislação vigente e com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

A categoria também reivindica que as empresas não realizem captura de imagens ou áudios dos empregados para fiscalização da jornada durante o teletrabalho e o trabalho a distância. Outro ponto previsto é a necessidade de avaliação humana para decisões relacionadas a avaliações, advertências e medidas disciplinares, evitando que essas decisões sejam tomadas exclusivamente por sistemas automatizados.

Terceirização

A suspensão da terceirização e da intermediação de mão de obra também foi debatida. A proposta prevê a suspensão de projetos de terceirização, contratações por empresas de intermediação de mão de obra e transferências para empresas do mesmo grupo ou holding.

A reivindicação também busca impedir a terceirização de atividades das empresas e o enquadramento dos trabalhadores em categorias diferentes da dos financiários.

Saúde, segurança e proteção aos trabalhadores

Na parte da tarde, as discussões foram voltadas para temas relacionados à saúde e segurança no trabalho, prevenção, combate ao assédio e à discriminação. Entre as reivindicações está a manutenção dos salários durante afastamentos por doença. A proposta prevê a complementação salarial pela empresa, em valor equivalente à diferença entre a importância recebida do INSS e a remuneração total que o trabalhador receberia se estivesse na ativa, incluindo salários, comissões, gratificações, adicionais e PLR, até o retorno ao trabalho.

A pauta também reúne uma série de propostas destinadas a ampliar a proteção à saúde física e mental dos trabalhadores e garantir melhores condições de trabalho e amparo em momentos de vulnerabilidade. Entre as reivindicações estão a ampliação da assistência médica e da vacinação, a manutenção do seguro de vida durante o afastamento por auxílio-doença previdenciário e o reforço da proteção aos trabalhadores vítimas de assaltos.

Para os planos de saúde, a proposta estabelece um teto de 5% do salário básico para os empregados que optarem por planos superiores. Também é reivindicado o custeio ou reembolso integral de vacinas contra gripe e epidemias para empregados e dependentes. No caso do seguro de vida, a proposta prevê o custeio integral do prêmio pela empresa durante o período em que o trabalhador estiver afastado em razão de auxílio-doença previdenciário.

Em situações de assalto, a categoria reivindica reajuste de 5% acima da inflação no valor da indenização por morte ou incapacidade permanente, além de atendimento médico e psicológico imediato aos empregados presentes no local.

Direitos e proteção no ambiente de trabalho

A pauta também inclui medidas relacionadas às condições de trabalho e à atuação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPAA). Entre as reivindicações está o fornecimento e a higienização gratuitos de uniformes, sem a utilização de logomarcas consideradas constrangedoras, além da ampliação para 90 dias do prazo de notificação aos sindicatos sobre o término dos mandatos da CIPAA.

A categoria também reivindica a ampliação do período de utilização do plano de saúde após a demissão sem justa causa, com prazos que variam de 180 a 390 dias, de acordo com o tempo de serviço.

Outro ponto trata da garantia de direitos para casais em união estável homoafetiva, com a inclusão expressa do direito às licenças-maternidade, paternidade e adoção. A pauta ainda prevê medidas de apoio às mulheres vítimas de violência doméstica, como a criação de canais de apoio sigilosos, grupos voluntários de prevenção, prioridade para transferência de unidade e flexibilização do horário de expediente, de forma a contribuir para a segurança da trabalhadora.

As negociações entre o movimento sindical e a Fenacrefi terão continuidade nesta quinta-feira (24), com o aprofundamento das discussões sobre os temas relacionados à saúde e às condições de trabalho.

Fonte: Contraf-CUT