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Inovação tecnológica e regulamentação de APP’s são desafios do futuro do trabalho

Participantes do 14º CONCUT nos 40 anos da CUT – Foto: Roberto Parizotti (Sapão)

 No último Ciclo de Debates da CUT de 2023, realizado na quarta-feira (13/12), cujo tema foi justamente os 40 anos da Central Única dos Trabalhadores, completos em agosto, e os desafios que se avizinham diante das novas configurações de trabalho, os debatedores convidados foram o sociólogo e consultor sindical Clemente Ganz Lúcio, e a historiadora, servidora municipal de Quixadá, no Ceará, secretária de Organização e Política Sindical da CUT e presidente do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Graça Costa.

O sociólogo chamou atenção para desidratação do modelo de trabalho pautado pela organização sindical das últimas décadas. Segundo Ganz Lúcio, os modelos de contratação sem vínculo direto, como é o caso dos trabalhadores e trabalhadoras terceirizados, teve com resultado uma forte redução na cobertura sindical, “isso em todo o mundo, o que, por consequência direta, criou uma massa de trabalhadores à margem das Convenções Coletivas e desprotegidos”, afirmou.

Para ele, agora, as lideranças sindicais devem se preocupar em participar ativamente de como a inovação tecnológica irá transformar os trabalhos e a qualidade desses trabalhos. “A tecnologia no ambiente de trabalho está vindo como uma forte intensificação da carga de trabalho, com consequências devastadoras para a saúde. É preciso considerar tudo o que essa inovação traz de vantagem e desvantagem para a Classe Trabalhadora”, disse.

A regulamentação do trabalho feito por motoristas de passageiros e entregadores do ramo dos transportes a partir de aplicativos, como Iodo e Uber, por exemplo, está, na visão de Ganz Lúcio, “no mínimo 10 anos atrasada. O que estamos vendo é uma defasagem temporal entre a nossa capacidade de incidir no mundo real em relação às transformações das relações de trabalho”.

E se por um lado a regulamentação de atividades que parecem escapar à legislação atual, e muitas vezes até à própria Constituição, é fundamental para garantir os direitos trabalhistas conquistados, organizar essa massa de trabalhadores sem vínculo formal é, na visão de Graça Costa, um desafio ainda mais urgente e maior.

“Passamos o patamar de 100 milhões de brasileiros ocupados. Mas mesmo assim, o número de brasileiros com a carteira de trabalho assinada é de pouco mais de 30 milhões. E isso não significa que esses 30 milhões estão organizados. Não estão. As novas relações de trabalho demandam de nós uma forma de entrosamento com o trabalhador muito diversa dos nossos formatos tradicionais”, disse Graça, completando que uma central com o escopo da CUT tem todas as condições de encarar esse desafio.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores, Sergio Nobre, enviou um vídeo exibido no evento, em que enfatiza a importância da organização dos trabalhadores e trabalhadoras nas conquistas alcançadas nessas quatro décadas, lembrando que será essa força a capaz de dar conta do mundo trabalho deste tempo.

“Nenhuma das nossas conquistas, que não foram poucas, teria sido possível sem a luta. Sem construir as nossas organizações com persistência e dedicação, sempre mirando uma vida melhor para o trabalhador”, disse Nobre.

Ao longo de 2023 o Ciclo de Debates CUT discutiu temas centrais para a classe trabalhadora, como o racismo, a Previdência Social e agora as novas configurações de trabalho. Todos os debates foram transmitidos ao vivo, e estão disponíveis do canal da CUT no YouTube.

Por Carolina Servio/CUT Nacional

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