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”É uma prática do governo”, opinam participantes de Audiência sobre assédio

Em audiência pública na quinta-feira (18/08), a CTASP (Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público), da Câmara dos Deputados, discutiu o assédio sexual no mundo do trabalho, especificamente os casos envolvendo o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, denunciado por empregadas do banco. A audiência foi solicitada pela deputada federal Erika Kokay (PT/DF).

O presidente da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa), Sergio Takemoto, informou que se encontrou com a atual presidente do banco, Daniella Marques, na quarta-feira (17) e cobrou rigor na apuração das denúncias de assédio sexual no banco e punição dos responsáveis.

Na Câmara, ele também falou sobre o assédio moral. “É uma prática do governo. Não há como esperar que gestores indicados pelo presidente Bolsonaro se comportem de modo diferente do que ele pratica. É reflexo dele”, avaliou. “É um governo que não respeita as mulheres, os trabalhadores, os seres humanos e a vida. Para combater o assédio e melhorar as condições de trabalho precisamos mudar o governo”, observou.

Takemoto apresentou dados da pesquisa encomendada pela Fenae sobre o assédio moral no banco. De cada 10 empregados, seis sofreram assédio. 77% já presenciaram a prática do crime no ambiente de trabalho. Mais de 90% já sentiram pressão ou ansiedade no âmbito da Caixa e 42% relataram problemas de saúde relacionados ao desempenho das atividades na empresa. “O resultado da pesquisa é assustador. A Caixa está adoecendo seus empregados”, disse.

A deputada federal Erika Kokay (PT/DF) citou uma pesquisa do LinkedIn com a consultoria de inovação social Think Eva, que ouviu 414 mulheres vítimas de assédio. Os dados revelam o medo em denunciar o crime. Das mulheres que responderam, 5% tiveram coragem de denunciar; 15% preferem pedir demissão. Sobre os casos na Caixa, Kokay criticou a demora na punição dos executivos do banco. “Não houve, de fato, uma responsabilização das pessoas que cometeram os atos dentro da instituição. As denúncias não são apenas contra Pedro Guimarães, mas outros dirigentes do banco. Há, ainda, uma rede de proteção e apoio a quem pratica [o assédio]”, destacou a deputada. Neste mês, ela apresentou um Requerimento (101/2022) para a formação de uma subcomissão especial para acompanhar a apuração das denúncias.

Para a subprocuradora-Geral da República aposentada, Deborah Duprat, “o assédio é uma prática de governo na gestão de Bolsonaro. Ele se comporta como um líder autoritário e totalitário”, observou. E falou sobre o assédio na Caixa. “É um crime que não pode ser negligenciado. Diz muito sobre como este governo trata as mulheres. Precisamos lembrar para que nunca mais se repita o que acontece neste governo”.

Casos explodiram na gestão Pedro Guimarães

A ex-presidenta do banco, Maria Fernanda Coelho, citou um levantamento do Poder 360 que revela que os casos de assédio explodiram na gestão de Pedro Guimarães. Em 2015 não houve nenhuma denúncia de assédio sexual recebida pela Ouvidoria da estatal. Em 2022, foram 77. Os casos de assédio moral passaram de 69, em 2015, para 341, em 2019. “É uma escalada de terror no governo Bolsonaro. O assédio permeia todos as instituições do governo federal”, observou.

Rita Serrano, conselheira de Administração eleita pelos empregados, fez a mesma observação da ex-presidenta da Caixa. “É a primeira vez que acontece denúncia de assédio sexual no banco. O moral, que deve ser combatido, já é conhecido e acontece como forma de gestão do banco”, disse. No Conselho, Rita cobrou ações para proteger as vítimas, o afastamento de todos os envolvidos e a contratação de uma empresa de investigação externa.

Uma vítima

Em um relato emocionado, a empregada Carolina Tostes, uma das vítimas de assédio na Caixa, contou alguns casos que presenciou, como o pedido para uma colega levantar da cadeira de trabalho e “ver se estava de biquini”, ou levantar o cabelo das funcionárias “para dar beijo na nuca”. Falou, ainda, sobre a morosidade das apurações. “Quando meus colegas aqui no Canadá me perguntam sobre o resultado, sinto vergonha de responder que a Justiça anda lenta no Brasil”, contou.

Cobranças

Fernanda Lopes, representante da Contraf/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), disse que as denúncias estão sendo tratadas na mesa de negociação. Os representantes dos trabalhadores cobram acolhimento das vítimas, apuração e punição adequada para quem pratica assédio. “Esse aumento dos casos acontece em decorrência deste governo, que coloca as mulheres como inferiores”, observou.

Para Kleytton Morais, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, é preciso avançar e atualizar as leis contra o assédio para que seja banido do mundo do trabalho. E destacou a situação da Caixa. “É preciso desconstituir a rede de acobertamento que ainda acontece na Caixa. As práticas de Pedro Guimarães e de outros executivos continuam a ser protegidas por pessoas ainda em cargos de comando”, destacou Kleytton.

Rogério Bimbi, presidente do Conselho de Administração da Caixa e Adauto Duarte, representante da Fenaban (Federação Nacional de Bancos), foram convidados para participar da audiência, mas não compareceram.

Fonte: Fenae

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