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Centrais Sindicais fazem protesto massivo contra Milei na Argentina

Foto: Leandro Blanco/Télam

Centrais Sindicais, movimentos sociais e organizações de esquerda realizaram um grande protesto na quarta-feira (27/12) em Buenos Aires, capital da Argentina. Os trabalhadores atenderam à convocação da CGT (Confederação Geral do Trabalho), maior Central Sindical do país. Também participaram a CTA (Central de Trabalhadores da Argentina), a CTAA (Central dos Trabalhadores da Argentina Autônoma) e a ATE (Associação de Trabalhadores do Estado).

Os protestos são contra o DNU (decreto de Necessidade e Urgência), que desregulamenta a economia, abre caminho para privatizações e ataca os direitos dos trabalhadores.

Mais especificamente, o protesto também é reação a outro decreto do presidente ultradireitista Javier Milei, publicado na terça (26), que determina a não renovação do contrato de servidores públicos incorporados ao longo de 2023. A medida deve extinguir cerca de 7 mil postos de trabalho no Estado argentino.

Os trabalhadores marcharam em direção ao Palácio da Justiça, na Praça dos Tribunais, região central da capital. Eles apoiam ações judiciais que contestam a constitucionalidade dos decretos de Milei. Um manifesto intitulado “Somos trabalhadores, não somos a casta” denunciou a “feroz reforma trabalhista regressiva” presente no DNU. O documento afirma que as medidas contidas no decreto são “arbitrárias, anticonstitucionais e lesivas a um vasto número de direitos civis, comerciais e sociais”. Dentre outras propostas, Milei quer facilitar demissões, reduzindo indenizações trabalhistas.

Neste sentido, Héctor Daer e Pablo Moyano, dirigentes da CGT, disseram que é preciso derrotar o DNU “na política, na Justiça e nas ruas”. Além disso, anunciaram que o comitê central da CGT vai se reunir nesta quinta (28) para definir um “plano de lutas” que pode incluir uma greve geral. Seria a primeira greve geral desde 29 de maio de 2019, quando os trabalhadores protestaram contra medidas do então presidente Mauricio Macri (2015-2019).

Repressão e ameaças

Desde que tomou posse, em 10 de dezembro, este é o terceiro protesto contra Milei. Novamente o governo ativou um protocolo de ordem público que prevê a detenção e corte de benefícios sociais de manifestantes que bloquearem as vias. A ordem do Ministério da Segurança é para que os manifestantes marchem pelas calçadas.

À tarde, durante a dispersão do protesto, ao menos seis pessoas foram detidas. Isso porque um grupo de manifestantes tentou interromper o fluxo de trânsito na Avenida Corrientes, uma das vias mais importantes de Buenos Aires. Os policiais reprimiram os manifestantes e entraram em choque com o grupo. Em meio aos empurrões, um ônibus chocou-se com uma viatura de polícia, e um agente de segurança acabou atropelado.

De acordo com a Polícia de Buenos Aires, quatro pessoas foram detidas por “por atentado e resistência à autoridade”. Fontes da CTAA disseram que um dos detidos é Martín Brunás, militante da organização e secretário de imprensa do partido UP (Unidad Popular).

“Marcha é o primeiro passo, porque governo não vai parar”

O líder do Polo Obrero, Eduardo “Chiquito” Belliboni, que também participou do protesto, afirmou que a marcha desta quarta contra o DNU é apenas “o primeiro passo”. “Vamos para a greve geral e um plano de lutas nacional, porque o governo avança e não vai parar”, afirmou à agência estatal de notícias Télam. Além disso, o líder piqueteiro disse que o Milei causou mais danos em três semanas do que outros governos em 10 anos.

Na noite de terça, em entrevista ao jornal La Nación, a primeira desde a posse, Milei defendeu a aprovação do DNU. Passando por cima das instituições, ele declarou que convocaria um plebiscito se os congressistas não aprovarem seu megadecreto de desregulamentação da economia e do Estado.

Fonte: Rede Brasil Atual

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