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Ataque a escola em Cambé reforça urgência do desarmamento

O Colégio Estadual Professora Helena Kolody, de Ensino Fundamental e de Ensino Médio, localizado em Cambé (PR), sofreu um ataque de um homem na manhã de segunda-feira (19/06), que entrou na instituição supostamente para buscar um histórico escolar.

Ex-aluno da escola, o atirador fez vários disparos em direção a estudantes e acabou matando no local Karoline Verri Alves, de 16 anos. O também adolescente, Luan Augusto da Silva, ficou ferido gravemente e faleceu na madrugada desta terça (20) no HU (Hospital Universitário) de Londrina.

Segundo informou o secretário de Segurança Pública do Paraná, Hudson Teixeira, o atirador planejava o ataque desde 2020, motivado pelo fato de ter sofrido bullying quando estudava no Colégio. Em depoimento, o atirador disse que não tem nenhuma relação com as vítimas, apenas teria escolhido jovens da mesma idade dos que teriam cometido bullying contra ele.

Em depoimento à Política ele confessou que guardou cerca de R$ 4.500 para viabilizar a compra da arma, um revólver de calibre 38, adquirido em Rolândia. O responsável pelo ataque também contou que esteve na escola anteriormente para analisar e planejar o crime. O secretário indicou que um caderno foi apreendido durante buscas realizadas na casa do atirador, mas não informou o teor das anotações.

Na noite de segunda-feira (19), a Secretaria Estadual de Segurança Pública do Paraná prendeu um segundo homem, suspeito no envolvimento do atentado. De acordo com a Polícia, ele teria ajudado o ex-aluno a organizar o crime.

CNTE defende desarmamento

Em nota, a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) destacou que o número de armas em circulação aumentou progressivamente com o passar dos anos no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e exigiu uma política urgente de desarmamento.

Em 2019, primeiro ano da gestão bolsonarista, havia 40.073 armas em circulação regular no país, enquanto em 2021, esse número atingiu 393.136.

De acordo com a CNTE, a falta ideia de segurança vendida pelo lobby armamentista tem levado o terror à toda comunidade escolar.

“Não existe possibilidade de essa realidade de aumento de circulação de armas de fogo no país não ser a causa do que estamos vendo neste ano, quando tantas escolas passaram a ser atacadas por jovens portando armas de fogo. É urgente que o país assuma uma política radical de tirar de circulação armas de fogo de nossas ruas. Não se trata de direito algum! Trata-se mesmo de fomentar mais casos de violência e de ataques desses que, consternados mais uma vez, vemos acontecer hoje em Cambé”, diz o texto.

A Confederação ressaltou ainda a responsabilidade de o governo federal e o Congresso Nacional pautarem imediatamente esse tema, “não mais com demagogias, como foi quando da apresentação no Congresso do Estatuto de Controle de Armas de Fogo que, com o objetivo de substituir o antigo Estatuto do Desarmamento, propuseram mais e mais facilidades no acesso a armas”, critica a Confederação.

Lula se manifesta

Em manifestação no Twitter, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escreveu que “não podemos mais tolerar dentro das nossas escolas e na sociedade. É urgente construirmos juntos um caminho para a paz nas escolas. Meus sentimentos e preces para a família e comunidade escolar”.

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) decretou luto oficial de três dias no estado. O secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda Vieira, visitou o Colégio após o ataque. As aulas foram interrompidas em todas as escolas estaduais de Cambé até esta terça-feira (20) e as atividades no Colégio Estadual Professora Helena Kolody estão suspensas por tempo indeterminado.

Faltam políticas públicas

Em março, após o ataque de aluno de 13 anos à Escola Estadual Thomazia Montoro, na Vila Sônia, zona oeste de São Paulo, que tirou a vida de uma professora e feriu outras cinco pessoas, a presidenta do Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e deputada estadual, Professora Bebel, apontou que há anos os Sindicatos cobram medidas do governo paulista.

“Faltam funcionários nas escolas, o policiamento no entorno das unidades escolares é deficiente e, sobretudo, não existem políticas de prevenção que envolvam a comunidade escolar para a conscientização sobre o problema e a busca de soluções”, disse à época.

A CUT se solidariza aos familiares da aluna assassinada e cobra medidas efetivas, em diálogo com a comunidade escolar, para frear a onda de ataques que se instaurou no país.

Fonte: CUT Nacional e Portal Verdade

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